arte & poesia


EXPOSIÇÃO

Caiapó Metutire

até 12/09 no MIS

Uma exposição, um documentário, um CD e um livro trazem a cultura dos índios brasileiros Caiapó Metutire para o Museu da Imagem e do Som (MiS), em São Paulo.

Os habitantes da região Capoto-Jarina, que fica entre o limite do Parque Indígena do Xingu e a divisa do Pará, sempre foram temidos por sua força e característica guerreira. Liderada pelos índios Raoni e Yobal, a tribo Caiapó Metutire é conhecida por seu orgulho e bravura em defesa da preservação de seu território e de suas tradições, cuidando da sua terra com sabedoria e firmeza.

O evento multimídia “Caiapó Metutire” registra o universo desta primitiva cultura indígena brasileira, revelando suas simbologias, em diferentes formas e linguagens. O projeto é apresentado depois de quase quatro anos de pesquisa de uma equipe de 12 pessoas, que realizaram nesse tempo, seis expedições pela tribo. A cada expedição, que durava quase um mês, a equipe integrava-se ao cotidiano dos indígenas para vivenciar, compreender e documentar sua cultura e costumes.

A exposição traz cerca de 80 imagens fotográficas e objetos do cotidiano dos caiapós, como instrumentos utilizados em rituais, instrumentos musicais, adornos e arte plumária. O CD registra os cantos e sons da tribo indígena com direção musical do Maestro Sá Brito. O livro foi escrito pelo indigenista Paulo Pinagé e tem fotografias de Vito D´Aléssio. E o documentário traz imagens inéditas do último encontro histórico, do líder caiapó Raoni e do sertanista Orlando Villas Boas, que participou do projeto assessorando as pesquisas até sua morte no final de 2002. 

Onde:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Avenida Europa, 158 - Jardim Europa
Tel: (11) 3062-9197

Dias e horários: até o dia  12/09, de terça a sexta, das 14h às 22h

Sábados e domingos das 11h00 às 20h00h

Mais informações:

http://www.mis.sp.gov.br/

http://www2.uol.com.br/capitu/10,8,2004,2490.html

http://www.zuvuya.net/cad_galeria_nc_ver_T.asp?cod_capa=682&site=T&pasta=misindio&tipo_mat=ns


 

 



 Escrito por jucier às 23h58
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POESIA

memória: Renata Pallottini

 

Em 1969, eu já professora de teatro, fomos convidados a ir a um festival de teatro universitário, nós da ECA/USP. O festival era em Manizales, Colômbia, e resolvemos ir com duas peças: Pedro Pedreiro, minha, sobre personagem de Chico Buarque, direção de Silney Siqueira, e O Rato no Muro, direção de Teresa Aguiar. Esta última, claro, de Hilda Hilst.

Fomos. Manizales era então uma cidade de 250.000 habitantes, situada nos Andes colombianos, que se atingia de avião, através da cidade de Pereira; bonita, alta, fresca, com pouco mais de cem anos de fundação, uma bela catedral, uma universidade promissora e um teatro – Teatro Los Fundadores – novíssimo, cheio de recursos, altamente equipado. Palco de 15 metros de boca, 11 de profundidade, 65 refletores, 1.500 lugares. Uma jóia nos Andes.

O festival foi aberto no dia 4 de outubro de 1969, com um grupo brasileiro, do Tuca de São Paulo, numa adaptação de Pedro Páramo, de Juan Rulfo. Prosseguiu no dia seguinte com o México e depois com a Venezuela e depois, no dia 7, nós, dividindo fraternalmente a noite com a Argentina. Noite de 7 de outubro de 1969, véspera de dois anos da morte de Guevara.

Tínhamos tido um problema, na noite de abertura; cada delegação levava sua bandeira e se esperava que cantássemos os hinos nacionais; lembro que houve divisão, alguns achavam que cantar o hino era coonestar a ditadura; não concordava, achava que nada a ver. Cantei quase que sozinha, depois acompanhada pelos da minha gangue.

Fazia-se, a cada noite, uma chamada em voz alta, do país que naquela noite se apresentava. O presente, resposta ä chamada, era uma voz coletiva, dez, doze pessoas de cada delegação. Mas, claro está, onde existem 1.500 jovens latinos fazendo a platéia tudo pode acontecer; e aconteceu. Na noite de 8 de outubro de 1969, antes do início do espetáculo – que era, por acaso, o de São Domingos -, ä hora da chamada, alguém, do balcão, gritou, em voz clara de moço: “Comandante!”

A esta voz, 1.500 pessoas se levantaram em bloco, unâmine, sem falha e gritaram, em coro: “Presente!”. Algum tempo depois, contei esta história, num poema:

Comandante

"Comandante!
foi o grito.
E a resposta
foi: Presente!
Foi resposta de uníssomo e de frente.

Cidadezinha nas alturas
de Andes grandes

onde se pousa como os

pássaros perdidos
pousam, buscando descansar
seus ombros...

Toda esta América, o centro
desta alta América de dentro
que voz que tem! Voz tão antiga,

de ídolos de pedra e de argila cozida!

Foi resposta de uníssomo e de frente.
Mil e quinhentos homens.
E de frente, de pé,
chorando por seu Comandante,
morto, perdido em sangue...
Mas de frente.

 

Saiba mais sobre Renata Pallottini: http://www.secrel.com.br/jpoesia/rp.html 

 

 

 

 



 Escrito por jucier às 19h42
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TEATRO

 

 

O que leva bofetadas 

De 27 de junho a 14 de novembro

 

 

No dia 30/07, eu e mais 39 amigos da empresa onde trabalho, prestigiamos a peça teatral “O que leva bofetadas“ - uma adaptação livre do texto de Leonid Andreiev, realizada por Antônio Abujamra. Um trabalho que já estava esperando já há algum tempo, desde quando vi uma matéria do Abujamra na tv cultura, falando dos ensaios. Bom, o que queria deixar aqui registrado é que vale a pena assistir o espetáculo por tudo. Isso mesmo, por tudo. Apesar de ser uma peça com pouco tempo de direção (que nos dá aquela sensação “poxa já acabou”) más que ao mesmo tempo analisa-se que é o tempo suficiente e que o que poderia ser adicionado talvez perdesse o encanto. Em suma, é uma peça que você não pode deixar de prestigiar, principalmente se você é ator/atriz...pois é uma aula de interpretação, além da riqueza poética e filosófica que nos favorece ver a arte circense de um outro campo e de uma maneira oposta ao que sempre observamos.

 

Destaco o nome de algumas pessoas que agradeço profundamente por terem contribuído para que esse espetáculo chegasse a nossos olhos. São elas: Lidiane, do blog giramundogirassol http://giramundogirassol.weblogger.terra.com.br/index.htm que sempre me encanta com seus textos e que ao assistir o espetáculo, deixou uma excelente matéria e sugestão sobre a peça, Leni Arietti e Daniel Lopes do SESI, que em todos os momentos demonstraram, sempre com grande espontaneidade,  atenção e carinho com toda minha equipe.

 

“ ... a lágrima que escorre rosto abaixo, inesperadamente desenha uma curva causada pelo sorriso amplo. O que vejo e traz estas reações? Um circo. O circo atemporal, com a época das imagens que povoam nossos olhos. Há artistas de todas as partes, de várias origens... O que me fez rir e desorientar minhas lágrimas? Um estranho palhaço que parece purgar o passado obscuro através de intermináveis bofetadas que leva, para nos entender. E se por discuido a lágrima invadir o riso e exigir da boca o gosto, perceberei que, ao contrário do que se pensa, a lágrima é doce. Agradável como água filtrada por um animal. E não se deve temer algo tão incrível. Apenas ter o cuidado de não se distrair muito – o próximo tapa poderá nos alcançar” – Antônio Abujamra  

 

 

 

 

Teatro Popular do SESI
Av. Paulista, 1313 Em frente a estação Trianon-Masp do metrô
Sexta e Sábado às 20h00 - Domingo às 19h00
Entrada Franca  - Sugiro chegar pelo menos 2 horas antes do espetáculo

 

Maiores informações: http://www.sesisp.org.br/home/sociocultural/teatro_popular.asp

 

 

 

 

 

 



 Escrito por jucier às 19h42
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EXPOSIÇÃO

Xilogravura

As fotos fotos aqui apresentadas foram fotografadas pelo meu amigo Valdemir Santos (Peu)

“A Caça -2003" " A Espada e o dragão - 2000" " Suzana no banho - 1966"

Olá turma, se vocês pesquisem no meu blog, verão que fiz uma matéria com as xilogravuras de Antonio Henrique Amaral. Dá para se perceber que também adoro xilogravura e com certeza não perderia a oportunidade não só de ver algum trabalho do Amaral, como também do grande artista GILVAM SAMICO, a quem estarei destinando esse espaço para falar de sua exposição na Pinacoteca.

Essa é uma das maiores exposições de Samico aqui em são Paulo, são quase 200 obras. Uma curiosidade é que os trabalhos de Samico surgem de traços bem limpos, com uma precisão enorme, pois ele não admite sequer uma pequena falha natural. Só para se ter uma idéia, ele produz somente uma gravura por ano e permite uma tiragem de apenas 120 cópias. Ele passa um ano todo debruçado sobre seus desenhos, que são feitos e refeitos, servindo de estudos para a versão final.

Samico teve influencias de Ariano Suassuna (autor do “auto da compadecida” - tenho que colocar essa dica, pois muitos ainda não o conhecem) outro pernanbucano que tem uma excelente obra e que futuramente espero postar sobre ele. E aproveitando que estou falando de Suassuna, é com as palavras de dele que vou encerrando por aqui. Um abraço a todos e vamos lá...

Hoje a meu ver, Samico é o maior gravador brasileiro. Quando você lê Sertão Veredas, ouve a Bachiana e vê uma obra de Samico, sente que eles três pertencem a mesma linhagem: cada um deles define seu país de acordo com sua região, o que eu acho muito bom. Um não nega o outro, eles se completam e, nesse imenso arquipélago cultural que é o Brasil, pertencem a uma linhagem única brasileira.” – Ariano Suassuna.

Pinacoteca do Estado

( Praça da Luz, 2 – Jardim da Luz, SP)

De: 07/08 a 26/09/04

Terça a Domingo das 10h às 18h. R$ 4,00



 Escrito por jucier às 19h47
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TEATRO

 

 

    

Eh, Turtuvia! Volta à cultura caipira com intuição, acertada, de ser um tema provavelmente inesgotável, como a mitologia do Oeste Americano. Lá vem ele, o jeca, uma vez mais com suas manhas e superstições e linguajar quase dialetal (turtuvia, por exemplo, quer dizer espanto, perplexidade). De baixo de um velho jatobá ou na porta da igreja, eles contam suas fantasias, medos, mentiras, sentados de cócoras, costume herdado dos índios.  Quando andam, são meio entrevados porque a vida é dura; a medicina pouca; e a fome, atávica. Por artes do teatro, os santos juninos Antônio, João e Pedro, entram em ação sem a menor cerimônia e com muita graça, sobretudo Antônio – O casamenteiro – nascido em Lisboa, com a fala lusitana carregada. É engraçado e com toque de melancolia.” É com essas palavras que Jefferson Del Rios da revista Bravo, valoriza sua crítica à Companhia de Arte e Malas-Artes com mais uma peça, segmentando  o projeto de teatro sobre o imaginário e alegorias populares mostrados antes em sacra Folia, Auto da paixão e da Alegria e Borandá.

“Eh, Turtuvia!” é uma expressão do dialeto caipira que significa perplexidade. “A peça recria o universo das antigas comunidades rurais brasileiras, com seu linguajar sonoro e imagético, seus fortes valores coletivos e sua percepção cíclica da vida”, diz Luís Alberto de Abreu. “O espetáculo celebra toda uma cultura centenária em rápida e contínua decadência sob o impacto da urbanização.”

No palco, quatro caboclos -- Norata, Arias, Labão e Zé Icó  -- narram e interpretam personagens de uma comunidade rural dos anos 50, do século passado. “Diferente de Borandá, que foi criada a partir de relatos de migrantes vindos dos quatro cantos do País, em “Eh, Turtuvia!” as entrevistas feitas pela Fraternal forneceram informações práticas do universo pesquisado -- a cultura caipira --, mas o texto não se fundamentou nessas entrevistas”, diz Abreu. “A peça foi desenvolvida como um jogo de imaginação onde o público é conclamado a criar junto com os atores o universo da cultura rural.“

Enfim, é uma comédia que vale a pena assistir não só pela atuação excelente, como também pelo belo trabalho de pesquisa realizado pelo diretor Luiz Alberto de Abreu e também da excelente direção de Ednaldo Freire. Com Mirtes Nogueira, Aiman Hammound, Luti Angelelli e Kalil Jabbour, no teatro Paulo Eiró ( Av. Adolfo pinheiro, 765, Alto da Boa Vista, SP) Tel. 11- 5546-0449  - 6ª e sab., ás 21:00h; dom., às 19:h. R$ 10,00  até 31/10/04. Um abraço a todos e bom espetáculo!!!



 Escrito por jucier às 14h23
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